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Eu quero tocar meu violão por Ruanda

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O conflito entre as etnias em Ruanda foi mostrado pela mídia como uma decorrência do "tribalismo tradicional africano", mas, na realidade, resultou da deformação e apropriação moderna de determinadas fraturas sociais da região central da África. Os agricultores hutus formam quase 84% da população, enquanto os pastores tutsis, que chegaram mais tarde à região construindo uma espécie de aristocracia feudal, representavam 14%. Durante a ocupação alemã e belga nessas duas colônias, os tutsis foram cooptados pela elite europeia no poder. Após a independência, o regime neocolonial de Ruanda passou a ser dominado pelos hutus, que aliou-se incondicionalmente à França e ao Zaire. A hegemonia hutu, marcada por forte corrupção e exclusão estrutural dos adversários, começou a ser questionada no início da década. Refugiados tutsis, exilados há anos em Uganda, organizaram um pequeno exército (a Frente Patriótica Ruandesa - FPR), que penetrou no norte de Ruanda em outubro de 1990, sendo exp...

Milagre que se opera

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  *Por Lucas Berton no concreto irregular e cinzento de uma escola pública no meio da vila pernas cruzadas, sentada no chão a menina toca flauta

Una poesía Latinoamericana

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  *Por Artigas Osores Una poesía latinoamericana camina entre mis venas. Lejos de las grandes metropolis y centros urbanos, ella camina de pies descalzos entre el hambre y la miseria. Condenada y perseguida, busca caminos alternativos que le aseguren la sobrevivencia. A veces grita y se revela contra la violencia, otras veces construye en silencio la resistencia. Una poesía mestiza camina entre mis venas. Versos en dialectos y lenguas originarias, reivindican la madre tierra. Desde las montañas de la cordillera a los océanos, desde la selva y los valles cruzan ríos y arroyos sus historias y leyendas de rebeldía. Indígena y negra, es la piel de la poesía que el sistema persigue y condena Cárceles y tumbas clandestinas, torturaron, asesinaron y enterraron a poetas olvidados. Letras de sangre en las paredes húmedas y oscuras de los calabozos, aún reivindican libertad y justicia. Lejos de las grandes metropolis y grandes centros urbanos. Ignorados y despreciados por gobiernos cómplices...

Você é o mundo e o mundo é você

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  *Por Jiddu Krishnamurti Onde quer que você vá no mundo, seja ao Ocidente ou ao Oriente, os seres humanos estão passando pelo mesmo fenômeno: busca do prazer, grande sofrimento, falta de amor e medo da morte. Esse é o problema comum, não só do indivíduo, mas também de toda humanidade. Se posso apontar, muito respeitosamente, vocês não são diferentes de americanos, russos, chineses, europeus, africanos ou qualquer outro. Todos estão passando pelas mesmas coisas  —  confusão, conflito, miséria e angústia. Todos vivenciam a falta de afeto. Todos estão presos em diversas seitas, em diversas crenças. Então, você é o mundo, e o mundo é você. Isso não é uma ideia ou conclusão, mas um fato psicológico verdadeiro. Estamos lidando com fatos, com o que realmente é, e não com teorias, dogmas ou crenças. Estamos interessados na transformação do fato. Assim, perguntamos: é possível transformar, mudar radicalmente, a estrutura psicológica humana? A estrutura psicológica é a consciência...

A função social da filosofia no século XXI

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*Por Jonas Rodrigues Respondendo à provocação de um professor de filosofia sobre “o que é isto, a filosofia?”, onde ele questiona se caberia à filosofia a busca pela verdade ou, não sendo possível chegar à verdade, caberia à filosofia o papel do cinismo, eis minha resposta. Há, nesse texto, segundo assim o entendo, uma proposta dicotômica entre Verdade e Cinismo. Ideia, essa, muito presente na filosofia. E para iniciar a discussão provocada pela pergunta “o que é isto, a filosofia?” gostaria de começar sugerindo pensar a questão da Verdade sobre um outro modo. Quero propor um conceito e ser capaz de conseguir explicá-lo de forma breve e clara. Conceito este que aqui gostaria de chamar de eixo de razoabilidade. O que quero explicar com esse conceito é bastante simples, na verdade. Eu não acredito que cabe à filosofia o papel do cinismo, não acho que a filosofia deve nos servir apenas para se emaranhar e se confundir nesse amontoado de transformações que a modernidade nos impõe, a fim de...

As mulheres não conhecem partida

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  *Por Daniela Godolphim Essa força avassaladora que cresce junto da barriga, essa coisa de bicho que nos invade ao parir a cria, ao alimentá-la, que meio que enlouquece as ideias, essas coisas de mulher que tem filho, difíceis de serem postas em palavras. De repente uma minúscula vida pulsando sobre nós, implorando para ser amada e não morrer. A natureza aos gritos de três em três horas. Ninguém me contou que eu morreria quando minha filha chegasse e que outra de mim nasceria em meu lugar. Minha avó, minha mãe, ninguém. Eu descobri sozinha que nunca mais seria eu e ser eu não era exatamente coisa que eu soubesse, ainda não. Aos dezenove anos ainda não se sabe. Tinha algo estranho no meu rosto, no meu nariz e meu corpo havia se transformado numa coisa pequena e magra. Eu chorava de sono e diziam que eu precisava dormir para ter leite. Todos no hospital perguntavam: - Onde está o pai? O pai não virá visitar? E eu me perguntava onde ele estaria, porque não atendia ao telefone? Ainda ...

Meu gato de estimação

*Por William Nunes “O que será que acontece depois? Será que eu vou ver a minha mãe?” Essas foram as palavras que Josefina dizia para sua filhinha Maria, de 12 anos, enquanto jazia deitada no chão frio do Hospital. A filha estava com as mãos dadas a ela desde 2 dias atrás, quando haviam chegado no local e desde então esperavam o leito médico no lotadíssimo hospital. E não era só elas, quando Maria olhava em volta, era tomada de tanto desespero que nem possuía mais lágrimas para chorar. Ao redor delas, dezenas, não, centenas de outras famílias choravam e se consolavam na fila de espera. Todas essas pessoas tinham 2 coisas em comum. Primeiro estavam doentes com a mesma doença, a chamada Covid-19, e segundo, seus nomes estavam todos numa mesma lista, a lista de espera de leitos hospitalares. Parece um nome de uma lista de execução de um regime autoritarista, talvez a lista de presos a serem enviadas para uma Gulag soviética, mas não é. São nomes, nomes sem rosto nem história, somente nome...