O homem que esquecia
*Por Lucas Berton ; publicado originalmente no blog Consciência Proletária em junho de 2017 Charles Bittencourt era um bom homem: temente a deus, fraterno com as pessoas, educado. Se vestia à moda antiga: usava blazer, camisa social com suspensórios e chapéu dos anos 1950. Não se metia em política, mas julgava-se politizado o suficiente para emitir algumas opiniões. Era funcionário público de carreira. Não que ele fosse dos melhores, mas também não era relapso, como virou costume ouvir acusações a respeito, sobretudo vindo dos meios de comunicação. Por consequência, como as atribuições do seu cargo exigiam, ele não tinha vícios e buscava ser um “bom cristão”. Possuía uma bela família, que trabalhava duro para sustentar. Era bastante amável com ela, dedicando-lhe bastante tempo. É claro: ninguém é de ferro! Às vezes brigava com a mulher ou algum dos filhos, mas nada que fugisse ao bom senso. Ia de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Durante este percurso, o universo bu...