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Cabaré Latino

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  *Por Paulo Vinícius América, minha bela prostituta, te amo América, teu corpo doce, me embriaga! América, entre tuas coxas, corre, a fonte da Vida e a Vida a Vida busca prazer a Vida quer prazer! América! Abre as pernas para o mundo, todos te desejam nua! América, minha bela prostituta! Guarda teus agrados, tuas jóias falsas, em teu colchão podre e manchado, na baba dos miseráveis, na baba dos miseráveis na baba dos miseráveis! América, minha bela prostituta! Te amo América, teu corpo doce, me embriaga América! Entre tuas coxas Corre, a fonte da Vida Tua velhice não será leve! Tua velhice não será leve, não! Tua velhice não será leve! Tua velhice não será leve! América! Latina!!! Guitarra: Henrique Bevilaqua Bateria: Guilherme P. Teixeira Baixo: Rafael Diniz Vocal e Letra: Paulo Vinícius Música: LUNARKIA/Hard West Mixagem e Masterização: Michel Peixoto Rio Grande do Sul. Brasil 2024 #hardrock #rockbrasil #heavymetal #rockgaucho

O sapateiro e a poeta

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  *Por Artigas Osores (Para minha querida poeta e amiga Cristina Diaz)       Eu tinha entre oito e dez anos quando as letras me adotaram para me proteger da pobreza, para me levar a viver em um mundo que, embora eu suspeitasse de antemão que era fantasia, desejava que esse mundo de ingenuidade e alegria fosse verdade.         Na volta da minha casa, em uma garagem escura e úmida, vivia Alfredo "o caolho" Camino, um sapateiro solitário e pobre que gostava de dançar tangos.         Em sua oficina de conserto de sapatos, ele também fazia troca e venda de revistas usadas. Nas vezes em que eu ganhava uns vinténs fazendo favores aos vizinhos, eu os gastava alugando revistas para lê-las ali, sentado no meio-fio da rua Giménez, lendo o que me afastava daquela realidade de casa pobre, roupas gastas e pão escasso.         E nas vezes em que não tinha moeda alguma, eu ia revistar as edições para ver se tinham chegado a...

O homem que esquecia

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  *Por Lucas Berton ; publicado originalmente no blog Consciência Proletária em junho de 2017 Charles Bittencourt era um bom homem: temente a deus, fraterno com as pessoas, educado. Se vestia à moda antiga: usava blazer, camisa social com suspensórios e chapéu dos anos 1950. Não se metia em política, mas julgava-se politizado o suficiente para emitir algumas opiniões. Era funcionário público de carreira. Não que ele fosse dos melhores, mas também não era relapso, como virou costume ouvir acusações a respeito, sobretudo vindo dos meios de comunicação. Por consequência, como as atribuições do seu cargo exigiam, ele não tinha vícios e buscava ser um “bom cristão”. Possuía uma bela família, que trabalhava duro para sustentar. Era bastante amável com ela, dedicando-lhe bastante tempo. É claro: ninguém é de ferro! Às vezes brigava com a mulher ou algum dos filhos, mas nada que fugisse ao bom senso. Ia de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Durante este percurso, o universo bu...

Contra a grande mãe

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" Fonte de Cibeles" em Madrid, na Espanha, construída entre 1777 e 1782 por ordem do rei Carlos III *Por Camille Paglia A decadência romana foi a escaramuça [pequeno combate] final entre os elementos apolíneos e dionisíacos da cultura pagã. A força e o vigor da República romana vieram de sua síntese de um culto apolíneo do Estado com o arcaico rito ctônico. Os grandes deuses da Roma primitiva eram homens, com deusas da fertilidade submissas. Embora a adoração da Grande Mãe tivesse sido introduzida em 204 a. C., e sempre fosse uma opção da aristocracia, a popularidade dela durante o Império foi um significativo afastamento dos primeiros princípios de Roma. Ela vinha do Mediterrâneo oriental, onde a natureza é menos hospitaleira e mais absoluta. Foi essa virada para a divindade feminina um avanço ou um recuo cultural? Então como agora, a adoração da Grande Mãe numa era urbana é decadente. Os romanos imperiais não viviam mais no e pelo ciclo da natureza. A Grande Mãe passou de f...

Bajuladores

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François Marot, "A Criação dos Cavaleiros da Ordem de São Luís por Luís XIV" (c. 1710).   *Por Camille Paglia Os bajuladores da corte não tem gênero porque não tem verdadeiro ego nem substância moral. A bajulação que envenena o mundo da corte de Hamlet é uma das causas da náusea crônica do herói. O mais doloroso para Hamlet é a traição de seus amigos de infância, Rosencrantz e Guildenstern, que se tornam espiões do rei. Hamlet chama Rosencrantz de “esponja… que se embebe do favor do rei, suas recompensas, suas autoridades” . Bajulação é subordinação sexual. Hierarquia é erotismo conceitualizado, que é o motivo pelo qual, como disse o grosso Henry Kissinger, o poder é o afrodisíaco último.  O bajulador hermafrodita [conforme veremos,] é uma deformação do cortesão de Castiglione: a auto-escultura do cortesão torna-se servil plasticidade ao capricho e vontade do governante. [No bajulador hermafrodita] a identidade evacua-se a si mesma. O bajulador abre-se como uma luva para a mã...

Jesus Cristo voltou, aleluia!

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  *Por Lucas Berton ; publicado originalmente no blog Consciência Proletária em julho de 2017 "Quanto ao dia e à hora da segunda vinda ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai" (Mateus 24:36).          Diz a tradição inspirada nas sagradas escrituras que deus envia de tempos em tempos um messias para redimir a humanidade dos seus pecados. Segundo a crença ocidental, já se passaram mais de dois mil anos e quase duas décadas desde que ele enviou o último. Era tempo de redimir esta nova gama de pecados cometidos pela humanidade ao longo deste último período. O lugar escolhido, tal como a dois mil anos atrás, foi uma província miserável de um território dominado por um império: Porto Alegre.          Algum infiel incrédulo pode perguntar: mas porque deus escolheu logo Porto Alegre? Ora, porque deus tem seus acessos de vontade, como as sagradas escrituras nos demonstram; e estas, como sabemos, se bastam a si...

O Uruguai que sonho...

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*Por Artigas Osores Ganhou quem sempre buscou o gol para vencer. Mas o mérito da Argentina de ser finalista das últimas duas Copas do Mundo e de três das últimas quatro, isso ninguém tira deles.  O futebol uruguaio está muito longe das grandes seleções do mundo, e me parece que isso não depende apenas de uma reestruturação do futebol. Há outros elementos que devem ser levados em conta e colocados sobre a mesa. Tampouco é apenas uma questão de reconhecer nossos erros, é muito mais do que isso. Mas é claro que isso cabe a quem realmente entende de gestão esportiva.  Não me sinto autorizado, não conheço e nem me interessa conhecer os bastidores da Associação Uruguaia de Futebol. Mas todos sabemos que existem interesses econômicos dos clubes que são maiores do que os interesses da seleção. E também que o país precisa de muito mais atenção nas áreas sociais do que um esporte que movimenta muitos milhões de dólares nas mãos de poucos.  O Uruguai que quero e sonho não é um Urugu...