O meu lugar preferido nessas terras inóspitas do sul é uma grande clareira aberta a partir de uma pedra apontada para o noroeste, de onde se pode ver o pôr do sol desta imensa bacia d’água que os índios chamam Guaíba. Para além do grande rio e desta bela vista, que se tornou o meu local preferido neste morro, posso vislumbrar um imenso verde das copas das árvores espalhadas por todos os lados. Depois da lida diária, contemplo o cair da tarde sentado nesta pedra, acompanhando os diversos tons dourados e, às vezes, avermelhados que despontam no horizonte e se refletem no Guaíba. É divino! Deus é tão grande e magnífico e esta visão me faz sentir o tamanho de sua providência. Muitas vezes duvido de sua existência, porque as coisas são tão difíceis de se crer vendo tanta maldade, injustiça e cobiça neste mundo. Porém, ao ver um cenário como este, volta-me a certeza. ...
*Por Erich Fromm in "Ter ou ser? A maioria de nós ainda acredita que todo tipo de administração em larga escala deva exigir inevitavelmente uma "burocracia", isto é, uma forma alienada de administração. E a maioria das pessoas ignora o quanto é fatal o espirito burocrático e quanto ele invade todas as esferas da vida, mesmo onde não parece tão evidente, como no relacionamento entre médico e cliente, marido e mulher. O método burocrático pode ser definido como aquele que: (a) administra os seres humanos como se fossem coisas, e (b) administra as coisas em termos mais quantitativos do que qualitativos, a fim de tornar a quantificação e controle mais fáceis e baratos. O método burocrático apoia-se em dados estatísticos: os burocratas fundamentam suas decisões em regras fixas obtidas mediante dados estatísticos, em vez de responder a seres vivos que se postam diante deles; resolvem os problemas de acordo com o que for estatisticamente mais provável, e correm o risco de...
*Por Lucas Berton Nasci em 1983, no final do século XX. Lembro-me, sobretudo, da minha infância na rua, brincando com a vizinhança, subindo em árvores — quanto mais alta, melhor (se com ameixas amarelas, como as que tinham na frente da casa da dona Lindinha, melhor ainda). As tecnologias eram poucas e muito restritas: Atari, Super Nintendo; gravadores de fita K-7 e filmes rodados em vídeo-cassetes (todas elas vindas de fora). Eram tantas as brincadeiras de rua que não consigo lembrar: pé na lata, taco, esconde-esconde, etc. Um pouco mais para baixo da minha casa (a maior da rua, até aquele momento) estava a "oficina", onde se consertavam carros. Era um terreno quase baldio, cujos muros de entrada tinham de fronte uma carcaça de kombi, onde toda a gurizada brincava de alguma forma e os mais ousados até dormiam, se arriscando. A kombi foi esconderijo, nave espacial, confessionário, salão de festa, dormitório... Nas noites estreladas me sentava no cordão da calçada após um fu...
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