O meu lugar preferido nessas terras inóspitas do sul é uma grande clareira aberta a partir de uma pedra apontada para o noroeste, de onde se pode ver o pôr do sol desta imensa bacia d’água que os índios chamam Guaíba. Para além do grande rio e desta bela vista, que se tornou o meu local preferido neste morro, posso vislumbrar um imenso verde das copas das árvores espalhadas por todos os lados. Depois da lida diária, contemplo o cair da tarde sentado nesta pedra, acompanhando os diversos tons dourados e, às vezes, avermelhados que despontam no horizonte e se refletem no Guaíba. É divino! Deus é tão grande e magnífico e esta visão me faz sentir o tamanho de sua providência. Muitas vezes duvido de sua existência, porque as coisas são tão difíceis de se crer vendo tanta maldade, injustiça e cobiça neste mundo. Porém, ao ver um cenário como este, volta-me a certeza. ...
*Por Lucas Berton Nasci em 1983, no final do século XX. Lembro-me, sobretudo, da minha infância na rua, brincando com a vizinhança, subindo em árvores — quanto mais alta, melhor (se com ameixas amarelas, como as que tinham na frente da casa da dona Lindinha, melhor ainda). As tecnologias eram poucas e muito restritas: Atari, Super Nintendo; gravadores de fita K-7 e filmes rodados em vídeo-cassetes (todas elas vindas de fora). Eram tantas as brincadeiras de rua que não consigo lembrar: pé na lata, taco, esconde-esconde, etc. Um pouco mais para baixo da minha casa (a maior da rua, até aquele momento) estava a "oficina", onde se consertavam carros. Era um terreno quase baldio, cujos muros de entrada tinham de fronte uma carcaça de kombi, onde toda a gurizada brincava de alguma forma e os mais ousados até dormiam, se arriscando. A kombi foi esconderijo, nave espacial, confessionário, salão de festa, dormitório... Nas noites estreladas me sentava no cordão da calçada após um fu...
*Por Alysson G. As ilusões levam tudo o que temos. E depois, elas nos cobram o porquê de não termos nada. E nos perguntamos o porquê vagamos no espaço, feito buracos negros de solidão, consumo e anseio. O que seríamos se não a memória? Por isso devoramos o mundo. Mas a solidão não nos escuta. E em seguida nos sentimos angustiados. Você já foi ao mar a noite? Somente o reflexo da lua, sobre o movimento das ondas somente o mar de água e o mar de estrelas que ali são o mar da tua vida. Todos os segredos da existência diante de você. Sentir o terror cósmico Livre da busca de circunstâncias. Você poderá deitar sobre a areia da praia E ao abrir e fechar os olhos devagar verá o que você é. No ano novo. Se for possível, e se você quiser. Vá a praia a noite. Encarar a falta de sentido. E encostar a tua face. Na face fria da morte. E assim poderá viver uma vida Em que pediu para nascer. E com os olhos feito de estrelas poderá enxergar. E fazer dos teus pensamentos o mar. E o terror cósmico ...
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