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Quem se importa com a Mariazinha?

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  *Por Lucas Berton Toda manhã quando saio pra trabalhar, pelas 6h55min, vejo a Mariazinha sentada no saguão do meu edifício. Quem é ela? O que ela está fazendo ali se ela não mora no nosso prédio? Não sei. Mariazinha é uma anciã muito frágil. Deve ter entre 65 ou 70 anos. A sua aparência repele todos aqueles que vivem obcecados pelas aparências “bonitas” na sociedade do consumo, pelos rótulos, pela fama. É patologicamente corcunda — lembra o seu homônimo de Notre Dame — e visivelmente cansada e sofrida.  Talvez ela tenha ficado com a chave do portão desde aquelas vezes que fazia faxina para a vizinha do apartamento 12 — e, então, quando está indo para outro “compromisso” pelas 6 da manhã, ela para no nosso edifício para sentar e descansar um pouco, já que caminha com grande dificuldade. Ninguém se importa com ela. A sua morte em vida não comove ninguém. Ela não grita, não pede socorro, porque deve estar anestesiada pelo costume de ser ignorada, colocada em segundo...

Companheira de aço

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  *Por Cleverson P. Em meio a violentos estrondos, suas paredes são de aço, aço que estremece, aço que amolece. Poderosas lagartas sustentam esta pesada máquina, mas, no acidentado terreno, cuida-se um explosivo pequeno. Em seu interior, almas vivas, apertadas e vacilantes, que por vastas estepes buscam por algo inconstante. Nas noites congelantes, o calor do motor aquece, e o exalante óleo nos compadece. Entre tanta glaciação, o fogo seria de todo o encanto, se não nos apavorasse tanto. Uma pequena fagulha, para o fim de tudo o que nos entulha. Ao alvorecer, a luz adentra este forte casulo, permeando o escuro e o que nos há de mais puro, e o horizonte se torna um profundo devaneio aos olhos que se perdem por inteiro. À distância, avista-se o encontro usual, no qual o homem se torna mortal. Oh, tal combate feroz! Oh, tal barbárie implacável! Seria de tudo justificável, se do conflito tirássemos algo honrável.

O homem que queria comprar sapatos

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*Por Han Feizi Um homem do reino de Zheng decidiu comprar um par de sapatos.  Pegou a fita métrica, mediu seu pé direito e depois seu pé esquerdo.  Ao sair, esqueceu a fita e as anotações sobre a cadeira.  Mais tarde, quando encontrou os sapatos que queria, deu-se conta do esquecimento e suspirou desanimado: – Puxa, eu me esqueci de trazer as medidas!  Voltou correndo para casa, a fim de buscá-las.  Ao retornar ao mercado, a feira tinha acabado e não havia mais nada aberto, e ele ficou muito triste porque não pôde comprar os sapatos. – Por que não experimentou os sapatos? – alguém lhe perguntou. Ele respondeu que acreditava mais na fita métrica do que nos seus pés .

Pepe Mujica, el Tupamaro

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  *Por Artigas Osores Todo hombre que un día cansado de las injusticias y los abusos del poder económico contra el pueblo pobre se levanta en armas para tomar el poder, merece mi respeto. Puedo o no coincidir en la estrategia, no aprobar el foquismo y los métodos de organizar la lucha social y armada. Pero los revolucionarios no son hombres perfectos. Quien alguna vez soñó con un país donde todos los medios de producción estuvieran al servicio de un estado sin clases sociales, merece mi reconocimiento. Muchas más que aquellos que piensan que las transformaciones sociales y la justicia social, se pueden alcanzar a través de las urnas, dentro de un régimen capitalista y con leyes burguesas. Quien luchó desde su lugar, alguna vez de su vida contra las oligarquías y la burguesia que tienen de rodillas a los más humildes, a ellos, aún cuando después las hayan abandonado, tiene mi reconocimiento. Comprender el contexto internacional y las épocas históricas de la elevación de la concien...

Ovo cósmico

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*Por Artemísia "Um dos homens que estava ao lado de Xerxes disse-lhe: 'Mestre, veja Artemísia, como ela está lutando bem e como ela afundou agora mesmo um navio inimigo' e Xerxes então respondeu: 'Meus homens se tornaram mulheres; e minhas mulheres, homens'. Nenhum membro da tripulação do navio calíndio sobreviveu para poder acusá-la". Ouço Xerxes com seu brilho prata me chamando. Contínuo, persistente.  Me identifico pois reconheço esse brilho prata! De quem sabe usar o ouro do silêncio  E a prata da palavra. Conversamos através de músicas. Sim! De músicas! Ouço seu chamado.  Ouso dizer que espaço e o tempo são relativos, então minha família me chama Só que de outro Estado. Quero que cante mais alto! as almas estão se levantando!  Você me diz que não é o volume, mas o timbre e a cor da nota e me pede: anota com cor o amor, escreve de pluma e arrota, e eu amo Amo que mesmo longe, já me ensina a compor Essa melodia, nossa, tão longínqua.  Estou na trilha, és a ...

A mis amigos y a Francisco

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  *Por Artigas Osores Frias En marzo de 2013, Francisco Bergoglio fue nombrado Papa. Estaba por publicar mi primer libro, el Hijo del Bajo. Escribí esto que publico más abajo y que es la primera página de relatos de mi primer libro. *** Ahora mismo, un papa latinoamericano, en nombre de su padre viene a pedirnos perdón, en nombre de su iglesia pretende que perdonemos tanta humillación. Que perdonemos pide, la opresión, las muertes en su nombre, la esclavitud, las torturas en su nombre, las violaciones, los saqueos y los robos, los detenidos desaparecidos, los niños huérfanos y la pedofilia y tantos, tantos sacrificios cometidos bajo de tu cruz. Yo que no soy ni originario, ni negro ni mestizo, yo que soy blanco, descendiente vaya a saber de qué maldito invasor, no te perdono… En nombre de mis hermanos latinoamericanos, hermanos de sangre, lágrimas y dolor, me niego a perdonarte, a vos, a tu dios y a tu iglesia. Nos impusieron una cultura a cruz y espada, nos sometieron a la cultura...

A filosofia perene de Krishnamurti

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*Por Lucas Berton Krishnamurti (1895-1986) pode ser considerado um filósofo oriental que sintetiza brilhantemente as milenares culturas indiana e chinesa, atualizando-as para o mundo contemporâneo. A base do seu pensamento e prática é bastante semelhante ao budismo e ao taoísmo, por mais que ele negue seguir qualquer religião, liderança ou mesmo ser chamado de filósofo.          Mesclando elementos do budismo, hinduísmo e taoísmo, ele termina por interpretar o pensamento Ocidental, excessivamente egocêntrico, respondendo às perguntas das inúmeras pessoas do mundo todo que acompanhavam suas palestras. Neste processo, ele dá as suas próprias contribuições, que consistem em perceber os problemas políticos, espirituais, morais e éticos, surgidos no século XX: consumismo, egocentrismo, desigualdades sociais, ganância pelo poder, vazio existencial, ansiedade, disputas entre sistemas, religiões organizadas, etc.       ...