Companheira de aço

 


*Por Cleverson P.

Em meio a violentos estrondos,
suas paredes são de aço,
aço que estremece,
aço que amolece.

Poderosas lagartas sustentam
esta pesada máquina,
mas, no acidentado terreno,
cuida-se um explosivo pequeno.

Em seu interior,
almas vivas,
apertadas e vacilantes,
que por vastas estepes
buscam por algo inconstante.

Nas noites congelantes,
o calor do motor aquece,
e o exalante óleo nos compadece.
Entre tanta glaciação,
o fogo seria de todo o encanto,
se não nos apavorasse tanto.
Uma pequena fagulha,
para o fim de tudo o que nos entulha.

Ao alvorecer,
a luz adentra este forte casulo,
permeando o escuro
e o que nos há de mais puro,
e o horizonte se torna
um profundo devaneio
aos olhos que se perdem por inteiro.

À distância,
avista-se o encontro usual,
no qual o homem se torna mortal.

Oh, tal combate feroz!
Oh, tal barbárie implacável!
Seria de tudo justificável,
se do conflito tirássemos
algo honrável.

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