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Notificações

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  *Por Lucas Berton Parte da ansiedade dos tempos modernos não está apenas no ritmo industrial de trabalho ou na rapidez das redes sociais, mas na imposição de respostas imediatas, como a que nos exige a rapidez da internet e se expressam nas notificações avermelhadas dos celulares e das redes sociais. As notificações exigem respostas e somos lembrados disso permanentemente pelas telas iniciais dos nossos celulares. Como as comunicações se tornaram muito mais rápidas do que eram as relações sociais pré-internet e pré-celular, elas exercem uma pressão psicológica muito grande e clamam por uma solução. Um encontro ou uma carta, que demorariam dias, semanas ou meses, agora desenvolveram um ritmo quase instantâneo de respostas, ao ponto de gerar ansiedade e depressão caso nossas mensagens não sejam vistas ou respondidas quase que instantaneamente. Os marcadores de “recebido” e “visto” no whatsapp, ou as estrelas de avaliação e as curtidas, se tornaram mecanismos feitos sob medida para ...

Descer ao inferno para aprender

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*Por James Hillman Precisamos hoje de mergulhadores, heróis do aprofundamento, e não mestres da negação; precisamos de mentores da maturidade, que possam suportar a tristeza, que vejam o envelhecimento com amor, que mostrem sua alma sem ironia nem constrangimento. Mentores, não animadores de torcida;  mentores, não entusiastas... Todos os heróis legendários do mundo antigo — Ulisses, Enéias, Psiquê, Perséfone, Orfeu, Dionísio — desceram ao inferno para aprender valores diferentes dos que regem os negócios da vida ao Sol; voltaram com olhos menos brilhantes, capazes de enxergar em tempos sombrios.

A liberdade em pombas

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  *Por  M. Helena B. Crossetti Naquele início de uma tarde fria e ensolarada de inverno, enquanto a irmã de meu pai trançava meus cabelos, eu ouvia o farfalhar das árvores. Os dedos acariciando minha cabeça, o sol aquecendo minha pele fria pelo vento, o rádio ligado e o cheiro da comida no fogo, todo aquele instante, como um todo, me fizeram pertencente ao espaço do tempo que chamamos de presente. Fechei os olhos na tentativa de saborear cada sensação, principalmente o senso de completude que me atingiu como um relâmpago descido do céu.  Eu já havia sentido completudes como aquela, mas sempre duravam meio momento e logo desapareciam, quase como se nunca tivessem existido. E essa rapidez me fazia acreditar que todos os infinitos eram precoces e passavam velozes demais diante dos olhos pelos quais enxergamos a vida.  Agora eu vejo as pombas cantando mais adiante. Não as vejo com os olhos, embora suas vozes me levem a vê-las nitidamente através do que consigo imagin...

O sofrimento egotista da sociedade contemporânea

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  *Por Lucas Berton Os seres humanos no seu atual estágio evolutivo são hipócritas (as relações pré-históricas e antigas são mais animalescas e, talvez, por isso mesmo, mais sinceras e espontâneas). No momento que a moral se dissocia do campo religioso e "animal", tal como era na Idade Antiga e medieval, surge o individualismo Ocidental; e, com ele, a possibilidade da hipocrisia mais degradante. A sociedade atual está acostumada a falar uma coisa e a fazer outra (todas as religiões patriarcais fazem isso). Diz, genericamente falando, sofrer por uma determinada razão, mas logo "abraça" a mesma razão que critica. Fica triste e perdida quando esta razão lhe é tirada por desmascaramento de argumentos ou da própria realidade. Em síntese: os seres humanos atuais gostam e precisam do sofrimento  —  ainda que os repudiem em palavras. Parte integrante desse sofrimento é reclamar e chorar, mas sem procurar mexer nas causas deste sofrimento. E estes mecanismos passam do campo...

Inautenticidade

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  *Por Hector Marques Em uma sociedade de intensa inautenticidade, acabo buscando algo para me espelhar, quiçá pegar para mim ideias, opiniões e concepções de outras pessoas, com o objetivo de achar que aquelas coisas me representam, já que, quando não se é nada, torna-se fácil ser qualquer coisa. E, ao perceber que todos aqueles conceitos e pensamentos que, por um momento, idealizei como sendo meus são, na verdade, de terceiros, volta em mim a seguinte questão: quem eu sou?”.

Travessia com dois Vs pelo Guaíba

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"CHALÉ", xilogravura, 37x27cm, tiragem 14/2O. Arlete Santarosa, (Bento Gonçalves, 1945). *Por Ethon Fonseca É isso mesmo, Amir Klink maquilaram onde o rio tinha matas ciliares com parquinhos temáticos despejos nos seus afluentes quando bastaria olhar dele para os movimentos de urbanitas com seus olhares, seus avisos a navegantes,  simbólicos ou de canto, do dia ou  do tempo em que não se podiam dizer certas coisas  mas talvez já cantá-las: "navegar é preciso, viver não é preciso".  Então era isso mesmo: entre tantas bandeiras,  leis e nebulosas de fumaça alarmando em brasis  para além do sangue em fronteiras agrícolas  e boiadas sem moitas regulamentares sequer,  que dirá sanções aos que jogam tanta fumaça  nos seres e olheiros de movimentações  humanas como desde as que pretendem nos fazer fugir de balas  e atoleiros, pirulitos às bocas ou entre jet-skis e escrotos ou nos segurar durante a ressaca das ondas de rios aéreos  a i...

O absolutismo contemporâneo

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  Arte por @joaoggarin_ *Por Lucas Berton O mundo moderno e o capitalismo contemporâneo surgiram da luta contra o absolutismo monárquico. Se constatou que um único homem não poderia ter o poder total sobre a sociedade e, por esta razão, pensou-se em diversos mecanismos de contenção e controle, como a exigência de uma constituição e de 3 poderes para governar. De lá para cá, praticamente todos os países do mundo promulgaram suas constituições e dividiram os poderes, procurando estar de acordo com a nova visão de mundo surgida a partir do iluminismo e da revolução francesa de 1789. O grande problema é que este controle sobre o poder é parcial e se restringe apenas à política.  A economia segue amplamente desregulamentada e controlada por poucos. Como o “livre” mercado sabota a regulamentação e não possui controle de espécie alguma sobre os bilionários, o seu poderio econômico fica livre para burlar constituições e leis; comprar jornalistas, mídias, legisladores e juízes nas mais...