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As conveniências e inconveniências do movimento feminista

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  *Por Lucas Berton O movimento feminista é um movimento fundamental da contemporaneidade, apesar de todos os seus adversários e inimigos declarados e não declarados. Sua busca por igualdade social foi e é fundamental para a sociedade atual. No entanto, assim como se faz com qualquer movimento, cabem reflexões críticas para aprofundá-lo e repensá-lo sempre que algumas contradições emergem. Muitas vezes observei a prática e, também, debati com representantes e partidárias do movimento feminista que afirmavam, a grosso modo, que a mulher “pode dar para quem estiver a fim, na hora que estiver a fim”. Não quero reduzir a indiscutível importância do movimento feminista para a humanidade a este ponto, mas é um bom exemplo de como pensam e agem muitas das atuais ativistas do movimento — sobretudo as influenciadas pelo “identitarismo” —; e como esta questão tende a se tornar uma contradição inconveniente. Em última análise, qualquer mulher dá para quem quiser na hora que quiser, muito embo...

A queda do muro de Berlim na sala de casa

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*Por Lucas Berton Nasci em 1983, no final do século XX.  Lembro-me, sobretudo, da minha infância na rua, brincando com a vizinhança, subindo em árvores — quanto mais alta, melhor (se com ameixas amarelas, como as que tinham na frente da casa da dona Lindinha, melhor ainda).  As tecnologias eram poucas e muito restritas: Atari, Super Nintendo; gravadores de fita K-7 e filmes rodados em vídeo-cassetes (todas elas vindas de fora). Eram tantas as brincadeiras de rua que não consigo lembrar: pé na lata, taco, esconde-esconde, etc. Um pouco mais para baixo da minha casa (a maior da rua, até aquele momento) estava a "oficina", onde se consertavam carros. Era um terreno quase baldio, cujos muros de entrada tinham de fronte uma carcaça de kombi, onde toda a gurizada brincava de alguma forma e os mais ousados até dormiam, se arriscando. A kombi foi esconderijo, nave espacial, confessionário, salão de festa, dormitório... Nas noites estreladas me sentava no cordão da calçada após um fu...

A vida vai melhorar... depois do roubo da caixa de Pandora?

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  *Por Ethon Fonseca Achado próprio para o momento, a beleza de amor antigo de um poema que circulou até ter autoria e datação adulterados segue como oratória/poética de punho do tamanho do útero, de reza forte - de símbolos, coisas que ainda entenderemos, talvez rumos que ainda conheceremos ou reencontraremos, nos consultando ou na solidão de uma conversa com o tempo e esperança a ser retomada quando a tempestade passar. Quando a tempestade passar, as estradas se amansarem, E formos sobreviventes de um naufrágio coletivo, Com o coração choroso e o destino abençoado Nós nos sentiremos bem-aventurados Só por estarmos vivos. Valorizaremos as cobertas secas e os insumos, almas secas dando dicas da hora ou duradouras, sobre como chegam os pesos dos alimentos na dieta e nos bolsos (carestia), e outras matrizes energéticas, combustíveis para aquecimento e transportes, em meio a tantos naufrágios… e movimentos de baixo para cima? Valorizaremos empuxos e disposiçõe...

Até onde vai a tua solidariedade?

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  *Por Lucas Berton Frente às tragédias dos alagamentos no RS e em Porto Alegre vemos se espalhar uma grande onda de solidariedade por entre as pessoas. Soa bonito e sublime — e de fato até é. No entanto, podemos ver também uma contradição! No dia a dia, somos egoístas e medíocres. No meio de uma calamidade, rugimos como leões frente às exigências da sobrevivência coletiva. Subitamente nos lembramos de que existem outras pessoas para além do nosso umbigo — lembramos, até mesmo, dos animais! Contudo, a solidariedade humana tem sido seletiva, para alguns e em momentos críticos. Não podemos ser e vivenciar realmente a solidariedade se nos preocuparmos com os outros apenas diante das catástrofes. E o dia a dia? E a nossa família, como a tratamos? E os moradores de rua que vegetam fora de abrigos permanentemente? E os vizinhos, como os escutamos e reagimos a eles? E aquelas pessoas que não gostamos no trabalho? E aquele colega que falamos mal pelas costas, sem se preocupar com os efeito...

O futuro é ancestral: o Guaíba é ancestral!

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Respeitem a água e aprendam a sua linguagem. Vamos escutar a voz dos rios, pois eles falam. Sejamos água, em matéria e espírito, em nossa movência e capacidade de mudar de rumo. Ao transformarmos água em esgoto ela entra em coma, e pode levar muito tempo para que fique viva de novo. Esse exercício de escuta do que os cursos d'água comunicam foi produzindo em mim uma espécie de observação crítica das cidades, principalmente as grandes, se espalhando por cima dos corpos dos rios de maneira tão irreverente a ponto de não termos quase mais nenhum respeito por eles. Pois, é preciso dizer, esses rios que invoco aqui estão sendo mutilados: cada um deles tem seu corpo lanhado por algum dano, seja pelo garimpo, mineração, [agronegócio], pela apropriação indevida da paisagem. Depois de 50 anos vendo gado, gente e máquina pisoteando o solo, o rio se cansa. Sim, pois quando a paisagem se torna insuportável, o rio migra e conflui para outras viragens. [Ailton Krenak — Futuro ancestral]

E no sétimo dia a verdade desapareceu

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  *Por  Lázaro Leal Barbosa Quantos dias são necessários para transformar uma tragédia nacional em um cenário político? No Brasil, foi necessário apenas sete dias. No primeiro dia, desabou chuva no Rio Grande do Sul. No segundo dia, a água tomou as ruas, bairros e cidades do interior do Estado. No terceiro dia, o Rio Jacuí recebeu uma enxurrada de águas, deixando um rastro de destruição que era fruto da indignação da natureza contra um sistema explorador e exportador, até chegar ao Rio Guaíba e iniciar a enchente. No quarto dia, o Rio Guaíba e o Rio Gravataí começaram sua invasão, engolindo Porto Alegre e a região metropolitana. Em resposta, o povo lutou pela sua própria vida. Não havia governo nem empresários: apenas pessoas humildes apertando a mão uns dos outros para que todos se salvassem ou para que ninguém morresse sozinho. No quinto dia, o governo acordou. Um governo liberal, enfraquecido por acreditar no Estado mínimo, demonstrou ser um governo sem força e sem vontade ...

Sobre línguas como fontes vivas para a escassez de nomes e critérios antirracistas para algumas nomeações e medidas (trabalhando sobre e com o esquecimento de fontes avisadoras — inicialmente vistas como anedóticas!)

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  *Por Ethon Fonseca Tem nome de povo originário que é tri geográfico, descreve inclusive alertando para riscos como de uma estrada sinuosa encontrar desfiladeiro em meio à neblina, e vários outros que se construtores tivessem levado em conta não tinham vacilado tão feio quanto Angra 1 e 2 serem apenas a prova de terremotos em terreno onde o mais problemático são deslizamentos. Perdi o fio/referencial dos exemplos de avisos prontos na própria língua que massacramos de mascaramentos, por vezes se chegando a censurar remotamente repertórios do léxico, ao invés de explorar mais narrativas históricas e associações com veios semânticos (de sentido com figuras de linguagem e forças de expressão) como os etimológicos (das origens) em compreensões societárias/conceituais, didáticas ou informativas (ludicidade é o outro ponto de tradicional tripé “global” de serviços que tem artistas “cobrindo”, super valendo divulgar, fora dos fetiches da “gamificação”). Se fosse fazer levantamento dessas ...